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Opinião: Ensino Superior: preparar-se para…

03 de abril de 2025 às 09 h27

Por alguma razão, nas Instituições de Ensino Superior não existem campainhas que assinalem o início e o final das aulas: as aulas iniciam-se às meias horas ou à hora certa, têm blocos de 90, 120, 180 ou 240 minutos, com intervalos definidos de acordo com o Professor.

Essa flexibilidade dá espaço a que sejam realizadas atividades que não terminam exatamente no momento em que a duração do bloco está definida: em contexto de aprendizagem baseada em resolução de problemas, por projetos ou desafios, ou quando a opção é por debates ou atividades fora da sala, o entusiasmo leva-nos a ficar muito para além da aula, a não pensar em intervalos ou em pressas para sair, a ir conversando com mais um grupo no final ou ao longo do corredor, a responder a mensagens a qualquer hora porque o objetivo é aprender.

Estamos focados e interessados em concluir um raciocínio, uma tarefa, terminar um parágrafo, dar mais um argumento em prol do que defendemos. Todas essas dinâmicas contribuem para o que deve ser o Ensino Superior e uma boa parte das nossas vidas pré-conclusão das nossas licenciaturas: “preparar-se para” fazer algo, dizer algo, seja negociar, inovar, planear, resolver, delegar, gerir, liderar, argumentar ou pesquisar.

Estou convicta que estar no Ensino Superior, comprometido a 100% com essa oportunidade e usando esse privilégio, é mesmo garantir o domínio de todos os verbos que ditam as ações capazes de mudar o mundo para melhor. Usufruir dos primeiros anos da idade adulta como aluno do Ensino Superior é também aprender a criar as condições para ser confiável nas suas ações, comprometer-se e ser capaz de concluir: muito se resume às boas práticas de Gestão de Projetos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Quando estava a realizar a componente letiva do meu doutoramento, a logística necessária para ir 3 dias por semana ao ISCTE ter aulas era significativa. Aproveitar o tempo, trabalhar em qualquer lugar, com todo o tipo de ruído ou condições foram capacidades que adquiri. Nessa fase, andando imenso de Metro, há uma memória, uma citação de Almada Negreiros, imortalizada num painel de azulejos lindíssimo, numa das estações: “quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade”.

Estamos na época em que os estudantes do Ensino Secundário se inscrevem nos exames de acesso ao Ensino Superior que ditarão uma parte do seu futuro. Em cada uma destas novas fases, esperamos que cada um deles chegue ao Ensino Superior para continuar a fazer a diferença e salvar o mundo, de verdade!

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