Opinião: “Ensinar o quê? Aprender como?”
“Novos desafios exigem novas estratégias”. Desde que a IA se instalou, sem pedir licença, no Ensino, o Ensino Superior está a passar, talvez, pela transformação mais profunda da sua existência. São famosos os memes comparando como evoluíram as formas de comunicação do século XIX para a atualidade e como evoluiu a comunicação no Ensino Superior. São correntes os vídeos que mostram o que os estudantes do Ensino Superior estão a fazer nos seus laptops, notebooks, surfaces e demais dispositivos enquanto o Professor leciona: fazem compras; jogam; veem fotos; leem, com inteligência artificial (IA), questões de escolha múltipla, enquanto a mesma IA (ou outra) indica a resposta certa; conversam uns com os outros, na verdade, tudo menos ser parte da aula e do que se devia aprender. Há experiências onde os estudantes, ao serem avaliados com exames tradicionais, falharam mesmo nas respostas mais simples. Enganamo-nos pensando que o nosso trabalho de ensinar – desta forma – está feito. A Academia, nestes tempos, serve para quê? Que aprendizagens promovemos? Qual o retorno do investimento de Estado e famílias na educação superior? Não são poucos os estudantes impreparados para trabalhar, pensar ou contribuir ativamente para a sociedade.
“A melhor forma de aprender é ensinar os outros”: talvez seja uma solução possível, para além de envolver os estudantes na criação de atividades para a comunidade, ao longo do ano, e em projetos com deadlines específicos e com empresas, uma parte de trabalho ativo em sala e outra na empresa. As Juniores Empresas são uma excelente forma de ensinar a trabalhar: existe uma diferença enorme entre quem delas faz parte e os outros estudantes.
A IA não ajuda em entrevistas de emprego síncronas, nem em saber estar e apresentar-se num projeto, a argumentar com um cliente, a falar inglês/francês/espanhol fluentemente e em presença, ou a responder a uma questão à queima-roupa. Ou seja, pode descrever o que fazer mas eu não aprendo se não fizer. Aprender exige dedicação, esforço e tempo: são mais de 20 anos de trabalho árduo desde os vídeos do Armand (Mondo) Duplantis em pequeno, incentivado pelo pai a saltar à vara, e o seu último record de 6,27 m.
Na TED Talk “The Battle for Your Time: Exposing the Costs of Social Media”*, um jovem, Dino Ambrosi, explica que, em 90 anos de esperança média de vida, teremos o máximo de 334 meses para atividades para além das necessidades básicas, com previsões de 90% desse tempo vir a ser passado a olhar para ecrãs: “o que fazem por si 26 anos de ecrã?”, pergunta ele. Reposta: Ansiedade, Depressão e baixo desenvolvimento cognitivo.
Link da Ted Talk: https://www.youtube.com/watch?v=4TMPXK9tw5U
