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Voto de protesto contra habitação social no Planalto do Ingote

19 de março de 2022 às 14 h24

A Assembleia de Freguesia de Eiras e S. Paulo de Frades aprovou esta semana, por “unanimidade e aclamação”, um voto de protesto pela anunciada construção de um novo edifício de 32 fogos para habitação social, na rua Cidade de Cambridge, no Planalto do Ingote, num investimento estimado de 2,4 milhões de euros.
“A excessiva concentração de pessoas mais desfavorecidas economicamente numa área delimitada não é bom para ninguém e consubstancia aquilo que os académicos conceptualizaram como “espacialização da pobreza” o constitui uma política contraproducente e errada, conduzindo a uma injustificável e intolerável segregação e guetização da população”, disse o presidente da associação”, afirmou o presidente da Associação de Moradores do Bairro da Rosa, Fernando Monteiro, que foi o porta-voz das associações de moradores.
O responsável também lamentou que, em todo este processo, não tenha havido “por parte da Câmara de Coimbra uma abertura e o diálogo necessário com as associações de moradores e a própria União de Freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades para consensualizar as decisões que estão a ser tomadas.”

“Senti-me sem chão”
Já Luís Correia, presidente da União de Freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades, disse que ainda há tempo para parar o processo. “Afinal, trata-se apenas da aprovação de um ante-projeto. Não podemos continuar a ser o local onde se faz a concentração da habitação social. Senti-me sem chão quando soube da aprovação deste anteprojeto para o Planalto do Ingote porque a prioridade é a Construção do Centro Cívico”, disse.
Também Manuel Leitão Cruz, da Associação de Moradores do Monte Formoso, referiu que a câmara municipal tem todos os instrumentos necessários para resolver a situação. “Não somos contra a construção de mais habitação social, até porque é importante aproveitar o financiamento disponível para o efeito, mas nunca agravando problemas de coesão territorial e laços de pertença já existentes. A pressa é muitas vezes má conselheira e neste caso concreto pode precipitar-nos para a tomada de medidas políticas erradas com impactos negativos irreversíveis”, advertiu.

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