Relatora da ONU para Palestina apela a isolamento de Israel
A relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, apelou hoje a que todos os países cortem laços diplomáticos e económicos com Israel, para não legitimar a ocupação israelita dos territórios palestinianos.
“Que cada Estado reveja e suspenda imediatamente os seus laços com o Estado de Israel, as suas relações militares, estratégicas, políticas, diplomáticas e económicas, tanto de importações como de exportações”, afirmou Albanese, na abertura da reunião ministerial do Grupo de Haia, criado por oito países em resposta à crise humanitária em Gaza, na capotal da Colômbia, Bogotá.
A diplomata defendeu que os países devem assegurar o corte dos laços com Israel também pelos seus setores privados, desde bancos e fundos de pensões e até universidades, assim como os prestadores de serviços nas cadeias de abastecimento.
“Tratar a ocupação como algo normal significa apoiar ou prestar ajuda ou assistência à presença ilegal de Israel nos territórios palestinianos ocupados”, precisou Albanese, que foi acusada, em 09 de julho pelos Estados Unidos, de “antissemitismo descarado” e de levar a cabo uma “campanha” contra Telavive, de que Washington é aliado indefetível.
Para Albanese, a economia de Israel está estruturada para sustentar “a ocupação, que agora se tornou genocídio” na Faixa de Gaza.
“É impossível dissociar as políticas e a economia estatal de Israel das suas antigas políticas e economia de ocupação. Elas têm sido inseparáveis durante décadas”, defendeu.
A Colômbia, anfitriã da reunião do Grupo de Haia, rompeu relações diplomáticas com Israel em 01 de maio de 2024.
Dias depois, suspendeu as exportações de carvão para aquele país, em resposta à ofensiva israelita em Gaza, que o Presidente colombiano, Gustavo Petro, tem repetidamente qualificado como “genocídio”.
O Grupo de Haia foi criado em janeiro pela Bolívia, Colômbia, Cuba, Honduras, Malásia, Namíbia, Senegal e África do Sul em resposta à crise humanitária em Gaza e comprometeu-se a cumprir os mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por crimes de guerra.
A reunião de dois dias começou hoje e conta com a participação de representantes de mais de 30 países, incluindo Brasil, Bolívia, Chile, China, Cuba, Egito, Espanha, Honduras, Irlanda, México, Nicarágua, Uruguai e Venezuela.
Este encontro, numa altura em que Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas mantêm negociações indiretas para uma trégua em Gaza, terminará na quarta-feira, com um diálogo em que participarão Petro e Albanese.
Para a relatora especial da ONU para Palestina, as decisões tomadas em janeiro pelo Grupo de Haia foram “simbolicamente poderosas” e um sinal de “mudança discursiva e política necessária”.
“Mas são o mínimo absoluto. Peço-vos que aumentem o vosso compromisso. E que transformem esse compromisso em ações concretas, legislativas e judiciais em cada uma das suas jurisdições. E que considerem, acima de tudo, o que devemos fazer para deter o ataque genocida”, acrescentou a relatora.
