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Opinião: Terras raras, ou não tão raras

20 de março de 2025 às 11 h18

Os Elementos de Terras Raras (ETRs), comumente designados por terras raras, são um grupo de 17 elementos químicos, 15 do grupo dos lantanídeos, a que se juntam o ítrio e o escândio. Apesar de se designarem como “raras” estes elementos químicos não são propriamente raros em termos de abundância na crosta terrestre (continental ou oceânica), o que se verifica é que se encontram aí, dispersos e em baixas concentrações, o que dificulta a sua extração e processamento.

As terras raras são essenciais, às indústrias de eletrónica de consumo, de energias renováveis, do automóvel, de defesa e de equipamentos médicos e hospitalares, entre outras.

Na indústria eletrónica de consumo as terras raras são, por exemplo, utilizadas nos écrans LCD/LED e OLED, em discos rígidos e em dispositivos móveis como “smartphones” e “tablets”.

Na indústria de energias renováveis as terras raras são, por exemplo, utilizadas em dispositivos eletrónicos e em ímanes de neodímio usados em turbinas eólicas e drones.

Na indústria automóvel as terras raras são, por exemplo, utilizadas na fabricação de motores elétricos e híbridos de veículos.
Na indústria de defesa, as terras raras são, por exemplo, utilizadas na fabricação de tecnologias de alta precisão como radares, sistemas de navegação, mísseis e lasers de alta potência.

Já na indústria de equipamentos médicos e hospitalares, as terras raras são, por exemplo, utilizadas na fabricação de equipamentos de ressonância magnética.

Como outras matérias-primas críticas e estratégicas, referidas nos dois artigos que escrevi anteriormente, a exploração e processamento das terras raras está altamente concentrada em poucos países, nomeadamente na China, país que controla o mercado mundial desta matéria-prima crítica, circunstância que gera enormes preocupações sobre a dependência europeia em terras raras.

Apesar de vários países estarem a promover ativamente a prospeção e pesquisa de terras raras para reduzir a sua dependência da China, torna-se cada vez mais relevante, quer para as terras raras quer para outras matérias-primas críticas, o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes de extração e processamento mas também, o desenvolvimento de projetos de reutilização e/ou reciclagem de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos de modo a se reduzir a procura em matérias-primas críticas resultantes das extrações primárias. Importa, pois, fomentar robustas e consequentes operações de mineração urbana (urban mining) e de circularidade nas cadeias de valor das matérias-primas críticas e estratégicas.

Em resumo as matérias-primas críticas das quais as designadas terras raras se incluem, desempenham um papel crucial e estratégico na atual e futura indústria de alta tecnologia bem como na transição energética e defesa e, portanto, no dia a dia dos cidadãos e das gerações futuras. Sim, das gerações futuras, pois como refere o especialista Olivier Vidal, investigador do “The French National Centre for Scientific Research”, a “transição energética terá um custo até 2050, mas, posteriormente beneficiaremos dela durante os cinco séculos seguintes.”.

Por fim e para aprofundamento deste tema, sugiro a leitura da obra: “A guerra dos metais raros – O lado negro da transição energética e digital.”, de Guillaume Pitron, publicado recentemente pela editora Zigurate.

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