Opinião: “Surpresa mora ao nosso lado”
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As últimas projecções do Fundo Monetário Internacional, o conhecido FMI, não são nada animadoras e as notícias publicadas em Portugal variam entre alertas de risco de abrandamento da expansão económica mundial, vulnerabilidades dos mercados financeiros e défices para mais de dois terços das economias avançadas. No meio destas notícias, e “puxando a brasa à sardinha”, escreve-se que Portugal é dos poucos países a registar um excedente nas contas públicas, mesmo assim abaixo da meta do governo.
O que não vi foi uma explicação sobre a Espanha que, tal como em Portugal, vive na instabilidade política, com um precário apoio parlamentar para levar em diante reformas e crispação entre governo e oposição. Contudo, a economia espanhola parece viver à margem das guerrilhas políticas internas e do mundo europeu em seu redor, cujas previsões de crescimento foram reduzidas. Em contraste com o crescimento de 0,8% da zona euro em 2024, prevê-se que a Espanha cresça 2,9%. Para 2025, a previsão é de 1,2% para a zona euro e de 2,1% para os nossos vizinhos espanhóis.
Em Portugal, o governo, a sua oposição e o Parlamento, deviam tomar em atenção os factores que permitem a surpresa da “porta ao lado”. Para além de ter melhorado na exportação de bens, Espanha também vai crescer internamente, fruto do aumento dos salários reais que impulsionarão o consumo. Só há 3 países europeus a crescer acima da Espanha: Croácia ( 3,4%), Chipre ( 3,3%) e Malta ( 5%). Do mesmo modo, é de tomar em atenção que a taxa de desemprego espanhola é enorme, superior a 11%.
À escala mundial, e depois de “dominada” a inflação, são 3 as medidas de política económica que se espera que permitam preparar uma recuperação. Em primeiro lugar, a política monetária de baixa de taxas de juro, evitando-se perda de emprego e, mais grave, um cenário recessivo. Em segundo lugar, a política fiscal que estabilize a dívida e ajude a criar as “almofadas fiscais”. Se as contas não forem saneadas, a alternativa é a austeridade. Em terceiro lugar, e como não podia deixar de ser, são imprescindíveis reformas estruturais que aumentem a concorrência, afectando recursos que estimulem o investimento privado produtivo, especialmente impulsionando os domínios tecnológicos e da inovação. O caminho está traçado.
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