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Opinião: Olhar para o turismo em Coimbra

27 de junho de 2025 às 11 h05

Nas minhas reflexões, recordo hoje uma frase do filósofo francês Jean de la Bruyére: “Para o Homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Não sente nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver”.
Esta minha reflexão sugeriu-me que a vida é marcada por desafios e com frequência se neglicencia a importância do momento presente. E, aqui, estendi essa reflexão à velocidade das mudanças que o mundo tem atravessado com o andar dos tempos e, logo, à evolução do turismo nestas últimas décadas… E então pensei que, chegados ao século XXI e ao ano de 2025, talvez o filósofo tivesse antecipado a visão dessa mudança, já que, desde há uns anos a esta parte, as pessoas não se têm esquecido de usar uma grande parte da sua vida para viver … e daí o aumento do turismo!…
Por curiosidade apenas, refiro que Paris é na Europa a cidade mais visitada em cada ano, com cerca de cinquenta milhões de turistas. Mas aqui apenas me vou referir ao turismo em Portugal e, em particular, em Coimbra.
Em Portugal, no primeiro trimestre de 2025, o turismo continua a crescer, quer em número de visitantes quer nas respectivas receitas que gera. Somos visitados sobretudo pela Espanha, Reino Unido, França, Alemanha e, mais ultimamente, Estados Unidos e Itália, sendo que a opção turística destes dois últimos difere um pouco nas escolhas das regiões preferidas (preferem Porto e Lisboa). Em 2023, Portugal recebeu 26,5 milhões de turistas, record que se manteve em 2024, sendo, no primeiro trimestre de 2025, a grande Lisboa a região com maior taxa de ocupação.
O sol e o mar, a extensão da costa e a qualidade das praias são das razões mais atractivas e, por isso, na Primavera no Verão Portugal é o décimo destino escolhido. Estão nessas escolhas preferenciais: Lisboa, Porto e Algarve.
E Coimbra?
Em Janeiro de 2025, o New York Times elegeu Coimbra como um dos cinquenta e dois lugares a visitar este ano. Apelidava-a de uma cidade cheia de alma e a ganhar um novo fôlego. A alma no Rio Mondego e a vantagem de fugir às multidões de Lisboa e do Porto. Era assim que aquele jornal se referia à nossa cidade, não esquecendo os estudantes da Universidade fundada em 1290, as suas capas pretas, o fado e a guitarra de doze cordas … e o célebre Café de Santa Cruz para tomar um café expresso e um crúzio (doce de ovo e amêndoa)!…
E, na realidade, Coimbra neste momento já se vê cheia de turistas. Ocupando o Centro de Portugal, Coimbra continua a ser uma cidade de fascínio, uma “terra de encanto”, com uma história fantástica e repleta de marcos históricos: a Universidade, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, será sempre um marco de conhecimento, da cultura e da expressão portuguesa no Mundo. Depois da ida à Biblioteca Joanina, à Sala Grande dos Actos e aos salões nobres guiemos, depois, os nossos visitantes seguindo para o Museu Machado de Castro e o seu Criptopórtico Romano (o único completo e bem conservado no mundo romano), a Sé Nova, a Sé Velha, as ruas da Velha Alta, a Igreja de Santa Cruz (onde repousam os restos mortais dos dois primeiros reis de Portugal, o que tanta gente ignora), o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, a Quinta das Lágrimas, o Portugal dos Pequenitos, etc., sem esquecer a sugestão de jantar em algumas das esplanadas que Coimbra já vai tendo e, porque não em alguns dias, acabar com um espectáculo no Convento de São Francisco que, felizmente, já vai dimensionando de uma forma mais abrangente os espectáculos artísticos.
Resta-me terminar com algo menos bom. Apesar de grandes melhorias na pavimentação e em restauros na “Baixa” e na “Baixinha”, do “nascimento” de novos espaços, pequenos restaurantes típicos, etc., não posso deixar aqui um alerta para que os que querem trabalhar executem até ao fim as suas tarefas… custe o que custar, mesmo que outros lhes semeiem dificuldades pelo caminho!… Há avenidas e ruas de Coimbra que estão “mesmo velhas”, com muitas áreas e edifícios que exigem intervenção rápida: Há edifícios descurados ou já quase em ruínas, uns a necessitar de grandes restauros, mas alguns que muito melhorariam com pequenas limpezas e intervenções. Uns serão de propriedade privada (e fala-se tanto em problemas de falta de habitação …), mas outros são edifícios públicos!…

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