Opinião: O casamento do século
Fontes bem informadas sabem que Coimbra esteve quase, mesmo quase para ser a cidade escolhida para celebrar o casamento de Jeff Bezos e Lauren Sánchez, isto depois do grupo de activistas “No Space for Bezos” ter ameaçado libertar crocodilos insufláveis nos canais de Veneza. O Município de Coimbra estava receptivo à ideia de receber os cerca de 200 convidados para a cerimónia, entre eles Ivanka Trump, Elon Musk (que foi um forte apoiante da ideia quando soube que existe um supercharger Tesla na Mealhada), Kim Kardashian, Leonardo DiCaprio, Eva Longoria, Orlando Bloom, Oprah Winfrey, Mark Zuckerberg, Bill Gates, entre muitos outros.
Sabendo da actuação de Elton John e Lady Gaga, bem como da presença de Katy Perry e Mick Jagger, a Câmara Municipal de Coimbra de imediato renovou a sua estratégia de promoção e valorização turística e entrou em contacto com a produtora Everything is New para estabelecer um protocolo que poderia ter o condão de se realizarem mais concertos no Estádio Cidade de Coimbra. O último, o dos Guns N’ Roses, no passado dia 6 de Junho, envolveu um valor total de 450 mil euros, sendo que 125 mil euros foram um apoio financeiro directo. É óbvio que, agora, os valores seriam substancialmente diferentes. Mas seria um investimento rentável para Coimbra, que se afirmaria com mais um grande evento, à semelhança do que já tinha acontecido com os Coldplay.
Apesar do dono da Amazon ter aceitado substituir o seu mega-iate Koru pelo Basófias, para contemplar a bela paisagem de Coimbra a partir do rio Mondego, com passagem pela Quinta das Lágrimas, onde a história de amor de Pedro e Inês seria representada e a sua noiva avistaria a foca, o que deitou por terra a possibilidade do casamento ser realizado em Coimbra foram os constrangimentos de circulação, pois apesar do reforço prometido da rede de transportes públicos, os convidados não gostaram da ideia de não se poderem deslocar nas suas viaturas, com a agravante de os seus motoristas ameaçarem fazer greve por causa das constantes alterações que as obras do metro mondego provocam na cidade. Consta que a palavra final coube à noiva, que não terá apreciado saber que já teria sido lançado um ajuste directo para adjudicar inovadoras e revolucionárias formas de protesto, desde que não fossem crocodilos no rio Mondego.
