Opinião: Liberdade(!) e turismo
Abril, no nosso hemisfério, com o início da primavera, os dias a crescerem em luz e calor e a natureza a renovar-se, não é apenas mais um mês — é também uma espécie de renascer, mais um começo que nos recompõe corpo e espírito para o que ainda está por vir a cada ano. Em Portugal, a esta representação de abril, junta-se outra, que não deixa de se relacionar com a anterior por proximidades simbólicas. A Liberdade! Devemos isto à nossa “Revolução dos Cravos” de 25 de abril 1974, comemorando-se hoje o 51º aniversário de tão importante e fundamental momento da nossa história recente. Mas hoje comemora-se também, e por consequência, o 50º aniversário das primeiras eleições legislativas democráticas, livres e justas ( 25 de abril de 1975 ), então para a denominada Assembleia Constituinte, cuja adesão massiva dos portugueses e portuguesas traduzia a esperança, envolvimento e empenhamento cívicos que naquele período se vivia, aderindo ao voto verdadeiramente livre 91,7% dos 6,2 milhões de eleitores inscritos à data, ou se quisermos, umas eleições com uma taxa de abstenção de apenas 8,3%… algo que, infelizmente, nunca mais se verificou.
Se já é um privilégio ter este espaço de partilha mensal com os leitores do Diário As Beiras, fazê-lo neste dia, extraordinária e feliz coincidência(!), é um gosto e uma honra sem igual! Por isso, cabe aqui referir, precisamente, mais uma fundamental consequência de liberdade que aquele abril nos trouxe, a imprensa livre e o desaparecimento da censura oficial de Estado. “Posso não concordar com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la”, frase normalmente atribuída ao filósofo francês Voltaire ( 1694-1778 ), embora esta autoria não esteja comprovada, mas que tanto nos diz sobre a liberdade de expressão.
Se o 25 de abril de 1974 marcou como que o renascimento de Portugal, agora como nação livre e democrática, com o fim da ditadura o nosso país abriu-se de novo ao mundo, abraçando novos horizontes sociais, culturais e económicos. O setor do turismo não podia deixar de ser impactado pelas mudanças que aqui floresceram com a liberdade conquistada, pondo-se fim ao “orgulhosamente sós”, posição e afirmação política em relação ao restante mundo democrático e de justificação da guerra colonial. O país anteriormente fechado, destino turístico quase desconhecido e com reduzidíssimas infraestruturas de apoio, passou a abrir-se a novas oportunidades, passando a investir, ao longo das últimas décadas, na preservação dos seus riquíssimos patrimónios históricos e naturais, na criação e/ou modernização de infraestruturas turísticas, hoteleiras e de vias de comunicação, podendo apresentar-se como um país mais desenvolvido, seguro e acolhedor, passando a competir de forma mais assertiva com outros destinos, então, claramente, muito à nossa frente em termos de mercado turístico. Hoje, 51 anos após a revolução, o turismo em Portugal é símbolo do país que se soube transformar, considerando ainda o forte contributo que a nossa integração na atualmente designada União Europeia teve em termos de desenvolvimento. Que conseguiu, entretanto, traduzir a sua história, património e cultura, isto é, os seus recursos, em produto turístico de qualidade, tendo na forma de ser e de estar do seu povo as características certas para a indústria da hospitalidade. E assim queremos que o nosso turismo continue, agora sob os desígnios fundamentais da sustentabilidade e da inclusão, com efetiva valorização profissional e social de todos os seus trabalhadores, estes cada vez mais qualificados, beneficiando ainda do crescimento e afirmação de uma (nova) área do saber, com produção de conhecimento científico como nunca antes conhecemos. E em liberdade, sempre em liberdade!
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