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Opinião: Leão XIV a fazer pontes

26 de maio de 2025 às 11 h08

Num mundo cheio de conflitos e de violência, cheio de tensões e extremismos… precisamos de líderes que façam pontes.
No passado dia 19 de maio o papa Leão XIV reuniu com os representantes de outras Igreja e comunidades eclesiais e de outras religiões e afirmou que: “O tempo presente é de diálogo e de construção de pontes”.
De facto, neste mundo globalizado, multicultural e multirreligioso, precisamos de diálogos alargados. Num mundo onde vivemos uma terceira guerra mundial aos pedaços e onde as redes sociais estão cheias de agressividade e insultos, precisamos de pontes que criem comunhão e fraternidade.
O Papa Leão disse ser um dos seus “deveres prioritários procurar o restabelecimento da comunhão plena e visível entre todos aqueles que professam a mesma fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.
Depois concretizou esta prioridade dizendo: “a unidade foi sempre para mim uma preocupação constante, como o testemunha o lema que escolhi para o ministério episcopal: In Illo uno unum, expressão de Santo Agostinho de Hipona que nos recorda como também nós, embora sejamos muitos, «n’Aquele que é um [ou seja, Cristo], somos um só» (Comentários aos Salmos, 127, 3)”.
Hoje precisamos de reforçar o diálogo ecuménico e o diálogo inter-religioso. Muitos cristãos desvalorizam esta necessidade e muitos continuam a pensar que é uma perda de tempo. Mas julgo que é um diálogo cada vez mais urgente para evitar populismos e superar extremismos.
O diálogo e o encontro são, desde logo, um testemunho que credibiliza a presença e a relevância de cada religião e de cada Igreja na construção de um mundo mais justo e fraterno. Sem este contributo o mundo fica mais pobre, mais violento e mais extremado.
Este diálogo respeita a diversidade, favorece o enriquecimento mútuo, promove a paz. Não se trata de um diálogo ‘diplomático’, superficial ou meramente estético, mas de um diálogo sincero e comprometido, feito de escuta e capaz de construir pontes.
Se cada religião ou cada igreja se isolar perdemos a oportunidade de reforçarmos o compromisso comum de ‘resgatar’ todas as pessoas para além do imediatismo (transcendência) e do individualismo (fraternidade), para além do consumismo e da exploração de todos os recursos humanos e naturais.
O Papa Leão XIV concluiu o seu discurso na referida audiência dizendo: “Estou convencido de que, se estivermos de acordo e livres de condicionamentos ideológicos e políticos, poderemos ser eficazes em dizer “não” à guerra e “sim” à paz, “não” à corrida ao armamento e “sim” ao desarmamento, “não” a uma economia que empobrece os povos e a Terra e “sim” ao desenvolvimento integral”.

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