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Opinião: Kanimambo

13 de abril de 2024 às 11 h31

Já era noite quando naquele final de tarde do mês de Outubro de 2021 os membros de um dos três clubes rotários de Coimbra se dirigiam apressados para a sua reunião semanal de companheirismo. Estava anunciada uma palestra, a realizar por uma jovem de uma associação de apoio ao albinismo em Moçambique. A sala encheu.
Durante os 20 minutos da prelecção a assistência, inicialmente descontraída e ruidosa foi emudecendo, a crueza descritiva dos slides que passavam na tela e o discurso timbrado mas sentido da jovem palestrante absorviam a atenção e a respiração dos presentes.
Descrevia a tragédia que é a vida daquelas pessoas que nascem sem pigmentação da pele num mundo que não as apoia e as persegue. Sem possibilidade de saírem à rua durante o dia pelo sofrimento da exposição ao Sol, com dificuldades visuais extremas, vitimas de violência psicológica e física, de crenças populares, de raptos e mutilações e até assassinatos.
No final a Drª Matilde lançou um repto ao Clube: apoiem as pessoas que sofrem de albinismo em Moçambique.
Esta realidade, desconhecida para a grande maioria dos presentes, tornou-se uma inquietação e uma grande vontade começou a germinar. Associaram-se clubes rotários de Coimbra e de Montemor para ajudar. Com a parceria entusiasmada da Associação Kanimambo, que estabeleceu o contacto com grupos de apoio em Moçambique e algumas empresas solidárias – surgiu o projecto KANIMAMBO.
No ano de 2022 os clubes rotários de Coimbra, através de várias acções solidárias, apoiaram com cremes protectores e cicatrizantes. No ano de 2023 fizeram uma proposta mais alargada dentro do movimento rotário e foi aprovado o fornecimento de 51 pares de óculos graduados e personalizados contemplando crianças, jovens e adultos com Albinismo em Nampula, Moçambique, através da Associação Kanimambo.
Em 6 de janeiro de 2024, com a participação de elementos de clubes rotários locais, foram entregues os 51 pares de óculos.
Aliando os conhecimentos da sua profissão de optometrista, um elemento do Clube rotário de Montemor deslocou-se à cidade de Nampula, onde realizou os ajustes necessários e entregou os óculos pessoalmente. Contou com o apoio logístico da Associação Kanimambo, do Hospital Central de Nampula e da Cáritas Diocesana de Nampula.
A recuperação da visão é um factor relevante para a melhoria da autonomia no estudo e no trabalho, na integração na vida social. Mas acima de tudo esta é uma experiência de solidariedade humana que para alem do aumento da autoestima e da qualidade de vida, contribui para o retomar da dignidade de que estas pessoas, absolutamente discriminadas na sociedade moçambicana, necessitam na sua vida quotidiana.
Não estão sozinhos. Este é um projecto para continuar.

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