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Opinião: Inteligência Artificial : éticas, fenomenologia e liberdade

05 de novembro de 2024 às 12 h21

Os Agentes de Inteligência Artificial são entidades de software que realizam tarefas de forma autónoma ou semi-autónoma ao interagir com os utilizadores e o seu ambiente.

Esses agentes são capazes de aprender, adaptar-se e tomar decisões com base nos dados que coletam, na informação que relacionam, no conhecimento que agregam e, porque não, numa “sabedoria-máquina” que desafia os cânones tradicionais sobre inteligência sublime.

O “homo sapiens” percebe a utilidade de recursos de aprendizagem e atualização através de ferramentas como Gemini, Claude, Perplexity, Co-Pilot ou ChatGPT, enquanto o “homo faber” (o construtor) tem a possibilidade de co-existir e co-elaborar em plataformas de desenvolvimento como CrewAI, LangChain ou AutoGen.
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ndependentemente das “affordances” potenciais, e do envolvimento em atmosferas de intensidade tecnológica crescente, fruto dos avanços das inteligências de máquina, ao género humano cumpre lançar mão dos instrumentos do pensamento no sentido de preservar um bem supremo de manutenção do seu equilíbrio físico e mental : a liberdade.

As inteligências de máquina, na linha de Turing podem revelar-se de forma benigna, agressiva ou neutra, sendo que, em qualquer dos casos haveremos de contar com um consequencialismo que deverá convocar o humano para a ação.

Tal ação porém, só acontecerá com eficácia, se este perceber a fenomenologia das esferas inteligentes e como elas, as inteligências de máquina nos “vêem”, e nos envolvem, numa inter subjetividade de duplo sentido “homem-IA e IA-homem” em que a razão e a contingência, não deixam de ser a expressão livre da uma vontade de autonomia, que, por paradoxal que pareça, deverá admitir também uma heteronomia, sem abrir mão do imperativo categórico, e de uma ética dual e progressiva para as “inteligências de máquina”.

Mesmo admitindo que a inteligência é a alma da liberdade (Husserl), ao “homo tecnologicus” não basta porém, algoritmizar e tornar autónomos mesmo os protocolos mais benignos como a normatividade e uma ética ou praxis normativa.
A resolução de dilemas éticos, como consequência da progressão tecnológica e a regressão de valores reclamam a antecipação da taxa de mudança e a avaliação das implicações para o Homem Ético numa Sociedade Ética.

Não deixando de ser importante, o dilema das éticas não se resolve através da simples redação e aplicação de normas técnicas como a ISO 42001 que estabelece práticas fundacionais internacionais para que as organizações desenvolvam Inteligência Artificial de forma explicável e responsável, esperando que os seres humanos e as instituições se projetem num conjunto não-negociado de práticas.

Isso não acontecerá, e, mesmo leis como a IA na Europa (EU AI Act) que, de algum modo pretendem uma efetiva gestão do risco para as pessoas, instituições e a sociedade, podem sucumbir perante as “Forças da Inteligência” humano-máquina que nos rodeiam e determinam a elevação da consciência para um reconhecimento e interpretação de realidades emergentes, lançando mão de uma ética de Consciência para a efetivação de uma Consciência Ética.

Ao avanço das possibilidades acresce a complexidade de questionar e a preparação de lidar numa ética progressiva com os dilemas emergentes :

( 1 ) Como governar o impacto das IA’s sobre os empregos e questões sociais levantadas pela reformulação do(s) mercado(s) de trabalho e de fabricação autónomos ? ( 2 ) Poderão as IA’s contribuir para novas formas de organização do trabalho sem violar direitos da força de trabalho em co-elaboração com as “inteligências de máquina” ? ; ( 3 ) De que modo e escala poderão as IA’s afetar o agenciamento (moral), autonomia ou responsabilidade dos trabalhadores ? ; ( 4 ) Como negociar trabalho oculto, supremacia e poder socioeconómico crescente sobre as pessoas ? ; ( 5 ) Como é que as IA’s poderão afetar a oportunidade de realização de trabalho útil e significativo para equilíbrio pessoal e societal ?

Para além dos questionamentos de base, importa não paralisar e proceder a dois níveis : por um lado na criação de ações de disseminação de contextos e práticas para uma efetiva utilização de Tecnologias da Cognição e, concomitantemente, o desenho de uma ética progressiva para a utilização racional das Tecnologias da Imaginação e de Expansão das Inteligências, tanto as naturais ou bioeficientes, quanto as artificiais, porque construídas a partir de informação da natureza com “biomímicas” em xenobots, inteligências organóide e as neuro e glia-computacionais

Exigência e consistência não se dizem. O(s) futuro(s) digno(s) só o serão se conseguirmos manter a autodeterminação como condição sine qu non de liberdade, para uma admissão de todas as formas de ciência e das fenomenologias, com inteligência ética e ética da inteligência, e que vão desde os xenobots, (em formas de vida e espécies inteiramente novas) de Michael Levin, às ressonâncias mórficas de Rupert Sheldrake, às ciências da pré-cognição e premonição de Julia Mossbridge e Teresa Cheung, aos microtubulos do prémio Nobel, Roger Penrose e Stuart Hameroff, sem esquecer a inferência ativa de Karl Friston que produz ciência significativa a partir da consciência de um tempo e filosofia interior de Husserl, até ao idealismo analítico de Bernardo Kastrup e o pragmatismo de Federico Faggin, cuja descoberta do microprocessador o levou a patamares de compreensão capazes de uma física computacional para uma ética da consciência que poderá juntar ciência e espiritualidade, não sem antes se perceber Sebastian Schapis sobre o entrelaçamento mental através das ciências de informação quântica.

A evolução da saga humana não pára nas inteligências artificiais ou de máquina, contando que, Análise Crítica e Erudição, convergem para a rejeição de todas as formas de “infantilismo” educacional e comunicacional, antes assumindo uma vigilância permanente sobre as éticas derivadas das Tecnologias da Cognição, sem alienar os métodos e fenomenologias de um pensamento autodeterminado como condição de liberdade.

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