Opinião: “Depois de casa roubada, trancas na porta!”
…É um ditado muito, e bem português para definir entre outras coisas “um modo de governação”, consubstanciado no princípio que, “governar é prever e prover”!
A democracia está em crise? A extrema direita terá a força necessária para a abolir? Estas são as questões que hoje se colocam a Portugal e ao Mundo dito civilizado, já que a democracia só consegue sobreviver em países que conseguem conciliar a eficiência do Estado com a sua legitimidade, a sua autoridade com a liberdade dos indivíduos.
Problema maior, é o facto da democracia se inclinar para ignorar ou até negar as ameaças de que é objecto, tanto que lhe repugna tomar medidas próprias para lhes dar réplica. Só desperta, quando desperta, quando o perigo se torna mortal, iminente, evidente.
O preço a pagar para que a democracia sobreviva poderá ser insuportável e os Estados – diga-se cidadãos – não lhe conseguem dar resposta, ou “esqueceram-se de tomar medidas para a defender deixando-nos a todos na mão de trogloditas”?
A democracia permite a todos que a querem abolir, ter os meios necessários para o fazer.
O governo do Povo pelo Povo já não é um dos princípios basilares da democracia, porque já foi capturado pelas forças que a querem derrubar, com a conivência dos que se dizem democratas, mas que, ao longo de décadas olharam para a sociedade como se apenas do seu umbigo se tratasse!
Existe também uma outra sociedade diferente, mas não menos perigosa, aquela que ajuda os inimigos da democracia sem se dar conta, em que se “juntam vários umbigos que falam a uma só voz” sem ouvirem a voz do Povo!
A maioria silenciosa é a maioria mais perigosa que, tanto elege boas pessoas como os mais variados tipo de crápulas!
Quando as boas pessoas se deixam capturar por interesses que não são do País nem do Povo, começa-se a viver o início de um tormento que nunca se sabe como acaba.
Os erros cometidos por uma governação medíocre, porque os seus intérpretes também o eram, atraem os mais variados tipo de aventureiros que usam a demagogia e o discurso populista para atingir os seus objectivos.
Discurso populista não é o que aponta caminhos de verdade, nem mesmo o que usa argumentos contra o status quo, mas sim o que, a coberto de um conjunto de frases feitas conseguem “chegar” aos milhares de ouvidos ansiosos por algo diferente!
Estamos, melhor, estão a conseguir “dar cabo” do Serviço Nacional de Saúde, não de agora, mas ao longo de décadas, não em nome da prestação de um serviço nacional, para todos, mas em nome da arrecadação de riqueza que, afinal, vai cá ficar toda! São os Tio Patinhas que não percebem o valor da solidariedade! Só que um dia destes…”o caldo entorna-se”!
A Escola Pública não cumpre com a sua obrigação. Ao invés dos sucessivos governos fazerem modificações devidamente pensadas no sentido de encontrar soluções para todos, mais fortes e mais fracos, apresentam apenas projectos de intenções sem nenhum impacto nos jovens, nas famílias, nos Professores e em todos os outros agentes da educação. Não poderá ser, nunca, um final feliz, porque não se forma, não se acompanha e não se avalia correctamente.
Quando todos sabemos que terminaram a licenciatura/mestrado no ano transacto apenas 21 Professores de matemática, querem lá ver que isto não é preocupante para os governos, ou afinal, nem têm conhecimento deste facto? E para as Universidades? E para todo o Ensino Superior?
Quando milhares de alunos não são admitidos nas Universidades, quando outros milhares o são e muitos deles não se inscrevem nos cursos, não deveria ser preocupante e objecto de análise?
Tanto disparate tem sido cometido em Portugal e por essa Europa fora, o que deixa a democracia na mão dos que nela não acreditam.
Há sempre um dia para tudo…e nesse dia gostaria de ainda por cá estar!
