Opinião: Com impostos não se atraem moscas
Portugal enfrenta uma fragilidade estrutural na sua base industrial, que se carateriza por ser incipiente, débil e a evidenciar uma dependência excessiva das cadeias de abastecimento estrangeiras.
A pandemia de COVID-19 e as recentes crises geopolíticas expuseram a vulnerabilidade do país a interrupções globais, afetando setores estratégicos como o automóvel, a eletrónica e os bens de consumo. Essa dependência dificulta a estabilidade económica, compromete o crescimento e o enriquecimento do país, e coloca em risco a capacidade competitiva do país, destacando a necessidade urgente de atrair investimentos que fortaleçam e diversifiquem o tecido industrial nacional.
O exemplo da Autoeuropa é paradigmático da importância de investimentos estruturantes para o desenvolvimento económico de Portugal. Desde a sua implantação, esta unidade fabril transformou-se num motor de crescimento regional e nacional, gerando emprego qualificado, impulsionando a criação de clusters industriais e promovendo as exportações. Mais do que uma simples fábrica, a Autoeuropa tornou-se um símbolo de como investimentos de grande escala podem reconfigurar a economia local e nacional, criando efeitos multiplicadores em outros setores. Portugal precisa replicar este tipo de investimentos e este sucesso para consolidar a sua posição como destino atrativo para investidores estrangeiros.
Para se tornar mais competitivo, contudo, Portugal precisa superar entraves históricos, como a lentidão do sistema de justiça e a complexidade burocrática na administração pública. Processos judiciais demorados, particularmente em matérias comerciais e de insolvência, desincentivam investimentos, enquanto a burocracia excessiva aumenta os custos e os prazos para empresas que desejam operar ou expandir-se no país. A simplificação administrativa e a garantia de uma justiça mais célere e previsível são condições essenciais para criar um ambiente favorável ao crescimento empresarial.
Neste contexto, a redução do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) surge como uma alavanca estratégica para reforçar a capitalização das empresas nacionais e atrair capital estrangeiro.
Um IRC mais competitivo não só aumenta a margem financeira para as empresas reinvestirem em inovação e modernização e se recapitalizarem, como também posiciona Portugal de forma mais vantajosa face a outros mercados europeus.
Países que oferecem regimes fiscais mais atrativos tendem a captar investimentos que, de outra forma, poderiam ser desviados para outras economias. Assim, uma redução do IRC, aliada a reformas estruturais, pode ser a chave para fortalecer a base industrial portuguesa e assegurar um crescimento sustentável a longo prazo.
O exemplo da Repsol, que anunciou a possibilidade de desviar investimentos significativos de Tarragona para Portugal, demonstra como iniciativas desse tipo podem ser estruturantes para a economia portuguesa. A decisão da empresa de apostar no hidrogénio no país não só reforça a indústria nacional, como também representa uma oportunidade de inserção em cadeias de valor globais mais resilientes. Além disso, mostra como políticas atrativas podem desviar investimentos de outros mercados e consolidar Portugal como um destino preferencial para grandes projetos industriais. Tal como aconteceu com a Autoeuropa no setor automóvel, a presença da Repsol poderá gerar emprego, modernizar infraestruturas e criar externalidades positivas em setores relacionados. Mostra também como a possibilidade da uma conjuntura de redução do IRC, no quadro de um desagravamento fiscal mais amplo em Portugal, se compara com os efeitos do “impuestazo” em Espanha.

Sôdôtôr, lamento mas ao fim da primeira linha do seu texto, antes que ficasse indisposto, acabei por decidir não continuar a leitura do mesmo porque o seu tom paternalista e desligado da realidade (se tem tantas receitas tão out of the box e tão brilhantes, não sei porque é que passa a vida a ensinar estes seus doutos conhecimentos de algibeira sem jamais os ter colocado em prática) confrange…
Não é por se baixar o IRC que se vai mudar grande coisa por cá… As moscas estão cá porque há matéria fétida para dela as moscas se nutrirem… E a teoria do valor acrescentado que fazia cátedra há vinte anos em relação à China (dizia-se então que as bugigangas que toda a gente seria capaz de produzir seriam então e para sempre produzidas na China e que a China não subiria na cadeia de valor, enquanto em simultâneo, alguns iluminados (Mentes Muito Brilhantes como o Sôdôtôr) advogavam então em pose de monopolistas da verdade absoluta que a protegida indústria automóvel europeia que era o zénite cujos interesses nunca seriam beliscados pela China… pois olhe, parece que neste momento, a China no que toca os EV, já superou em termos tecnológicos a indústria automóvel europeia e prepara-se agora para, com paciência de Chinês a mastigar lentamente)). Explique-me lá uma coisa se faz favor? O Xi por lá conseguiu esta transformação da indústria automóvel local vista até há bem pouco tempo como estruturalmente atrasada face à Europeia, com a descida de 2 pontos percentuais no IRC lá do sítio? Como diria o saudoso Álvaro Barreirinhas, diria eu: “Olhe que não, olhe que não!”.
Se quer saber a minha modesta opinião… O problema em Portugal começa na escola, que reproduz o atraso que já vem de trás, porque na maioria dos casos, os professores são medíocres e ninguém nada faz para acabar com isso porque não interessa… Passe bem… E cultive-se…