Opinião – Alfobres de algoritmos e gatos de Cheshire!
Em pleno transumanismo (ainda que recusado por muitos), e em tempos de capitalismo cognitivo a caminho de uma civilização algoritmizada, é de (des)alinhamentos humano-algorítmicos que importa analisar com ciência e não com suficiência.
Os primeiros meses de 2025, foram dominados por manchetes demoníacas à escala global que apontam para mais de 166.000 demissões (layoffs) no setor de tecnologias da informação e da cognição.
Esses cortes de empregos não são meros reflexos de uma recessão cíclica ou de um ajuste temporário a mercados informacionais, de capitais e monetários, ao invés, são reveladores de um realinhamento estrutural profundo da economia digital global. A inteligência artificial, especialmente os modelos generativos e de automação avançada, aceleram o esgotamento gradual, quando não, o encerramento de uma gama cada vez mais alargada de categorias de trabalho.
Exércitos de agentes virtuais e processos agênticos integrados em sistemas superinteligentes, reforçam a decadência de sistemas de educação e formação de tradição fantasiosa, que, mais do que Futuro(s), reforçam e criam estruturas de ascensão (que paradoxo !) de “Working Poors”, afirmando um modelo que, para além de precário, raia o insulto.
Envoltos numa aura de demagogia e negação, apostados em cenários de utopia regenerativa, mas, sem “thought leadership”, pratica-se talento endogâmico e umbiguismo retorcido, confundindo progresso e desespero.
Ao contrário do que se possa pensar porém, o caos não é aleatório !. Senão vejamos.
Em Portugal, por exemplo (embora o fenómeno seja mais ou menos global), no básico e secundário
o “bodo aos cábulas” da primeira semana de junho em que milhares de professores são obrigados a anular-se indentitária e profissionalmente, instados que são a “passar toda a gente” (Infantiloidismo All-In), evolui depois no “festim merceeiro” dos rankings, e dos concursos ao ensino superior de vagas e de vagares, capazes de conduzir (ou condenar ? ) a uma vida de “salários mínimos” ao mesmo tempo que se pontapeiam os melhores para fora do terreno do jogo lusitano (Brain Drain).
Com a demagogia memética expressa no conceito e epíteto de “geração mais qualificada”, envolta em alfobres de algoritmos de ensaio, de desperdício e de substituição, adquiridos aos playmakers da tecnologia global e, muito pouco produzidos localmente, aqui vai um país a rir e a cantar como os gatos de “Cheshire” : à partida não sabem para onde vão, quando chegarem não saberão onde estão e, quando alguém perguntar quanto custou a jornada, responderão : alguém haverá de pagar.
