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Opinião: Ainda os Jacarandás

10 de julho de 2025 às 09 h52

Não queria voltar a este tema mas… em resposta a críticas e protestos o sr. presidente da câmara municipal e a sr.a vereadora das obras públicas vêm a público (louvor por virem) justificar os abates com razões repetidas que fazem ouvidos de mercador aos argumentos dos críticos (e lá se perde o louvor acabadinho de atribuir).

Mesmo assim resisti a mudar o tema, mas… lá vem uma última frase:
«Enquanto alguns querem paralisar a cidade, nós escolhemos agir, servindo a cidade com responsabilidade, visão estratégica e compromisso com o futuro».

Ou seja, um repto que seria má educação desprezar. De qualquer forma poderíamos argumentar que quem tem mantido a cidade paralisada com frentes de obra abertas em todo o lado ao mesmo tempo, sem se ver ninguém a trabalhar durante semanas e meses, há mais de um ano, não serão os activistas pró-árvores, parece-me. Uma gestão das frentes de obras, de passagens e acessos de peões, seguros, eficientes e bem sinalizados, teria sido da máxima importância.
P: Tanto se fala na rua Lourenço de Almeida Azevedo, qual é o interesse?
R: É talvez a rua mais bonita de Coimbra com Jacarandás e Tipuanas mais que centenários a pintar com as cores da cidade
P: É preciso renovar o arvoredo, como a câmara refere?
R: Sim, sem dúvida. Mas o que é renovar? Por exemplo, não se renova a frota de autocarros dos SMTUC abatendo já os que estão a funcionar para depois preparar a compra de novos. Primeiro lançam-se concursos, compram-se os autocarros, põem-se a funcionar, confirma-se que cumprem e, ao fim de algum tempo, abatem-se os antigos. Só assim não há interrupções no serviço, seja transporte seja sombra.
P: Então se plantarem tantas árvores como as que cortam não está resolvido?
R: Não, de todo.

Uma árvore adulta que dá sombra, abrigo e aspecto cénico não é substituída por uma estaca de árvore plantada. Passar-se-ão décadas antes que aconteça chegar ao nível do que as existentes agora proporcionam. A contagem uma plantada por uma abatida é uma péssima métrica nisto das árvores. Seria melhor contar em termos de metros quadrados de sombra perdida, de cubicagem de carbono desperdiçado, de metros de rua despida, de anos de falta de função. Só assim seria razoável uma análise comparativa.
P: Mas a câmara diz que o anterior projecto previa o abate de 43 árvores e agora vão ser só 13 e por razões fitossanitárias e de segurança…
R: Da análise dos relatórios, apenas 7 serão por razões fitossanitárias, 4 serão por incompatibilidade com a linha do metro.
P: Pronto, mas isso são só 4, ainda ficam aí 7 que têm problemas fitossanitários, ora não queremos que as árvores caiam e matem alguém, não é?
R: Claro que não mas os estudos em que a Câmara se baseia não propõe o abate de nenhuma. Propõe diversas intervenções, como correcção de copas, tratamentos, etc, mas NÃO propõe qualquer abate.
P: Mas a Câmara invoca que o Metro vai poupar em emissões o equivalente a milhares de árvores, por isso pode abater estas que ainda se fica a ganhar.
R: Isso é argumento?

Enquanto se discute isto, na Av. Sá da Bandeira as obras vão cortando raízes de árvores que não são para abater, em desrespeito de normas, de boas práticas e de regulamentos camarários. Práticas que levaram a necessidades de abate anos mais tarde. É caso para nos perguntarmos de é distracção, negligência ou objectivo.

O silêncio da candidata do PS sobre este assunto e outros como o viaduto no Choupal começa a ser ensurdecedor. Era democraticamente conveniente que emitisse a sua posição.

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