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Opinião: Contra o medo

27 de janeiro de 2022 às 15 h55

No momento em que escrevo estas linhas, decorre mais uma manifestação nas ruas de Bruxelas. Diversas dezenas de milhares de pessoas expressam-se, em nome de (supostas) liberdades e direitos, contra o processo de vacinação. Sublinhe-se, vacinação esta que ainda é voluntária na esmagadora maioria dos países da UE. O som constante das sirenes e o sobrevoo dos helicópteros policiais denunciam a mais que previsível baderna e destruição, que têm, igualmente, ficado associadas a estas manifestações.

Existem motivações as mais diversas por detrás deste tipo de reações populares: filosóficas, libertárias, mas o espaço maior é ocupado pela ignorância e pela politização de algo que não deveria sê-lo. Basta atentar para os números objetivos em diversos países do mundo, e em particular na Europa, para percebermos facilmente que o negacionismo está, em regra, vinculado a democracias musculadas, cujos líderes resistem em reconhecer evidências científicas e assumir a vacinação como solução primordial. Os regimes políticos mais extremistas ou populistas são, geralmente, aqueles onde o nível de vacinação é menor e têm, nesta fase, o nível de mortalidade mais elevado.

Ao invés, e Portugal é um dos melhores exemplos, existe um comprovado nexo causal nos países onde a vacinação tem sido profusamente adotada e a redução da mortalidade por Covid. De igual forma, o número de hospitalizações em cuidados intensivos. Apesar do elevado grau de disseminação desta nova variante, não são comparáveis os efeitos nefastos a que assistimos há um ano com os atuais, pelo que a comunidade científica é cada vez mais unânime em defender que do estado pandémico se deve passar ao endémico, aligeirando as medidas restritivas individuais e coletivas que ainda se fazem sentir e cujos impactos económicos e sociais são elevadíssimos. Há uma nova normalidade com a qual temos de aprender a conviver. Os vacinados não devem ter receios, os demais devem assumir todos os encargos e ónus que essa liberdade de resistir implicará. Evidentemente!

Finalmente, e apesar de atribulada, a solução encontrada para que os confinados possam votar, no próximo domingo, tem sido reconhecida pelos especialistas como segura e confiável. Não há que ter medo, pois! Acima de tudo, há que evitar deixar entrar, pela porta dos fundos, a perversão política neste tema, porquanto é sabido (as sondagens mostram-no) que os efeitos da abstenção (pelo medo) de algumas faixas etárias não serão iguais para todos os partidos…

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