CoimbraGeral

Cientistas defendem inclusão de fungos nas metas globais para a conservação da biodiversidade

23 de julho de 2021 às 13 h12

DR

Uma carta publicada hoje na revista científica Science apela para que todos os fungos sejam incluídos nas metas globais para a conservação da biodiversidade, revela a Universidade de Coimbra (UC). As metas globais para a conservação da biodiversidade vão ser aprovadas na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), que irá decorrer em Kunming, na China, de 11 a 24 de outubro.

Liderada pela investigadora Susana C. Gonçalves, do Centre for Functional Ecology da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, a carta é dirigida “sobretudo às partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica (https://www.cbd.int/) reunidas na COP15”, indica a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Pretende-se que incluam explicitamente o Reino Fungi nos alvos designados através da inclusão do termo funga, substituindo em todos os documentos a expressão ‘fauna e flora’ por ‘fauna, flora e funga’”, sublinha Susana C. Gonçalves.

A carta hoje divulgada surge como reação a uma missiva anterior, também publicada na Science, defendendo “a inclusão dos chamados ‘macrofungos’ (fungos cujas estruturas reprodutoras são visíveis a olho nu, por exemplo cogumelos e trufas) nas metas globais de biodiversidade pós-2020”, explica, citada pela UC, Susana C. Gonçalves. “Na nossa carta, enfatizamos a necessidade de incluir todos os fungos e providenciamos evidências de que os ‘microfungos’ merecem igual consideração”, sintetiza a investigadora.

“É chocante que apenas umas escassas 425 espécies, dos milhões de espécies de fungos que habitam o planeta, tenham sido avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas”, pode ler-se na carta hoje publicada, que é assinada por mais três investigadores (da Bélgica, do Chile e dos EUA).

Os cientistas notam que, embora as pessoas associem os fungos aos cogumelos, na realidade, “a maioria dos fungos não produz estruturas reprodutivas visíveis a olho nu. Por exemplo, os fungos micorrízicos arbusculares são extremamente importantes: colonizam as raízes de 80% de todas as plantas, uma simbiose que ajudou as plantas a conquistarem a terra. Os bolores, tais como aqueles dos quais a penicilina foi isolada, são também microfungos. As leveduras Saccharomyces, que nos dão o pão, a cerveja e o vinho, são fungos unicelulares”. “Os fungos suportam toda a vida na Terra”, alertam.

“A Science tem um enorme alcance. Por isso, esperamos que a publicação da carta faça com que muitas mais pessoas e organizações juntem a sua voz à nossa”, conclui a investigadora da UC.

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Coimbra

Geral