Coimbra

Bienal promove visitas à Fábrica das Sombras e divulga arte de George Bures Miller

22 de maio de 2025 às 16 h16
Jorge das Neves

As obras de “A Fábrica das Sombras”

Até 5 de julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pode visitar a exposição «A Fábrica das Sombras», apresentada no âmbito do Anozero’25 Solo Show. A mostra propõe um percurso imersivo pelo universo sensorial de Janet Cardiff & George Bures Miller, dois dos mais influentes artistas contemporâneos no campo da arte sonora e multimédia.

Reconhecidos internacionalmente pelas suas instalações site-specific e pelas experiências áudio e vídeo que criam, os artistas — que vivem e trabalham no Canadá — apresentam 13 obras que ocupam e transformam o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, desafiando a perceção do espaço e ativando novas camadas de escuta e interpretação.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h00 às 19h00, com entrada livre.

No Dia 23 de maio, sexta-feira, das 16h no ciclo Conversas e Partilhas, «Artistas que coletam objetos para criação», com Filipe Feijão e Bárbara Fonte. A, 24 de maio, às 16h, visita acompanhada pela equipa de mediação. Participação livre em ambas.  No sábado, 24 de maio, das 14h30 às 17h30, realiza-se o workshop «Corpo território e cartografias», orientado por Dani d’Emilia.  O custo é de 5,00 euros com inscrição em bit.ly/Anozero25ProgramaEducativo.

Semanalmente, destacamos uma das obras que compõem «A Fábrica das Sombras» — num convite contínuo à descoberta desta exposição única.

Imbalance.6 (Jump), 1998

George Bures Miller

 

Um monitor está preso ao teto por dois cabos. Numa posição baixa, este parece estável, ainda que a imagem reproduza um grande plano dos pés do artista a saltar. A ilusão entre o carácter estático do objeto e a motilidade da imagem gera um desconforto levado ao limite quando no vídeo os pés aterram no chão, e de imediato dois pistões pneumáticos fazem pulsar a televisão, dando a impressão de que o peso dos pés impulsiona o movimento errático do monitor.

Para lá das noções de gravidade e de equilíbrio, o que Bures Miller explora é o experiencial, despindo-o ainda mais e elevando-o a novas formas escultóricas. Os seus experimentos em aerodinâmica têm pouco que ver com experiências formais científicas ou de engenharia que visam quantificar e reproduzir a evidência dos resultados, mas, sim, com a replicação da experiência que evita obstinadamente a sua explicação — e término — com a mesma facilidade com que a ilumina.

Imbalance.6 (Jump) é uma escultura cinética que, pelo seu movimento aparentemente incontrolável, convoca um estado de agitação e de perigo no espectador, ainda que este esteja consciente da presença do artista e do seu papel na manutenção da lógica e da regra, a meias com o «falso caos». Os elementos viscerais e experienciais habituais à série Imbalance provocam-nos, ocupando espaços semelhantes entre o pânico e a confiança. Experiências comuns ao desequilíbrio, e cujo rastilho está já no título — interpretado tanto fisicamente «Jump», como psicologicamente «Imbalance».

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

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