Opinião: Construir a Paz com coragem e esperança
Ano novo, vida nova…
Às vezes temos a sensação que fica sempre tudo na mesma e que os votos não passam de ilusão. Muitas vezes até só pedimos que as coisas não piorem.
O Papa Paulo VI quis, há 58 anos, que o Dia Mundial da Paz fosse celebrado no primeiro dia do ano. Começar o ano a pedir paz sempre fez sentido, mas agora parece que ainda faz mais sentido dado o número de guerras existentes.
O Papa: diz “são necessárias transformações culturais e estruturais, para que possa haver também uma mudança duradoura” (nº4). Precisamos de mudanças profundas “para enfrentar a atual condição de injustiça e desigualdade” (nº5).
Na mensagem para este ano o Papa Francisco faz três pedidos muito concretos (nº11):
1. Começa por pedir uma “consistente redução, se não mesmo no perdão total da dívida internacional, que pesa sobre o destino de muitas nações”, desenvolvendo uma nova arquitetura financeira que conduza à criação de um acordo financeiro global, baseado na solidariedade e na harmonia entre os povos.
2. Faz “apelo a um firme compromisso de promover o respeito pela dignidade da vida humana, desde a conceção até à morte natural, para que cada pessoa possa amar a sua vida e olhar para o futuro com esperança”. Pedindo concretamente que seja eliminada a “pena de morte em todas as nações”.
3. Por fim, pede que seja utilizado “uma percentagem fixa do dinheiro gasto em armamento para a criação de um fundo mundial que elimine definitivamente a fome e facilite a realização de atividades educativas nos países mais pobres que promovam o desenvolvimento sustentável, lutando contra as alterações climáticas”.
O tempo é de esperança, mas precisa de gestos concretos que realizem as muitas palavras de apelo à paz e à justiça, à dignidade humana e ao sentido da vida. Sem gestos corajosos a esperança apodrece nas palavras, sem compromisso concreto o mundo fica à mercê de todos os egoísmos.
Peçamos, como diz o Papa Francisco, “Que 2025 seja um ano em que a paz cresça!” (nº13). Para que isso seja verdade é preciso “Desarmar o coração” (nº14). “Por vezes, é suficiente algo simples como «um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito»” (nº14).
Sejamos construtores de paz; sejamos pessoas de gestos simples, mas corajosos; façamos a diferença… não nos acomodemos à guerra, à pobreza e à injustiça.
