Opinio: As responsabilidades na limpeza do espao pblico
Quem percorre a p as ruas de Coimbra j deve ter notado que a cidade no se destaca pela sua limpeza. Lixo e detritos espalhados pelas ruas e passeios criam um cenrio de abandono e decadncia. Mas quem devemos responsabilizar por esta situao?
Normalmente, a responsabilidade atribuda falta de civismo de alguns muncipes ou negligncia das autoridades. tambm comum ouvirmos argumentos sobre corresponsabilizao, ou seja, uns sujam quando no deviam e outros no limpam quando sua obrigao.
Sem questionar a validade desses argumentos, a questo da limpeza urbana (ou da falta dela, no caso de Coimbra) mais complexa do que primeira vista pode parecer.
H mais de meio sculo, o socilogo Henri Lefebvre elaborou o conceito de produo social do espao. A ideia central de Lefebvre que o espao urbano no se resume a mera estrutura fsica, mas resulta de uma construo coletiva que implica processos contnuos de dilogo e de contestao. A limpeza (ou sujidade) do espao pblico resulta, assim, de uma complexa negociao entre vrios atores, incluindo alguns que geralmente no so considerados numa anlise superficial da questo.
Tomemos o exemplo do dilema de testemunhar algum a atirar uma beata de cigarro ao cho. Embora desaprovemos esse comportamento, evitamos confrontar quem o faz. Essa relutncia pode ser motivada pelo receio do conflito, pela crena de que no nossa a responsabilidade da repreenso ou pela perceo de que tais comportamentos exigem abordagens sistmicas. Quaisquer que sejam as nossas motivaes, o nosso silncio acaba por legitimar esses comportamentos que contribuem para o estado de abandono que ns prprios lamentamos.
A nossa responsabilidade estende-se esfera dos servios de limpeza. Em Coimbra, esses servios, financiados com nossos impostos, so fornecidos pela Cmara Municipal em algumas zonas da cidade e pelas juntas de freguesia noutras. Uma caracterstica distintiva deste esquema a disparidade na frequncia e na qualidade da prestao do servio. Enquanto ruas e passeios do centro so varridos diariamente, outras reas perifricas recebem apenas limpeza espordica e, muitas vezes, superficial.
Essa discrepncia na qualidade do servio reflete uma injustia tributria e afeta a nossa qualidade de vida. Todos contribumos para a limpeza na mesma proporo, mas apenas alguns recebem o servio de forma adequada. O muncipe que pagou por um servio espordico e negligente s tem, portanto, duas alternativas: pode aceitar passivamente a situao, ou pode contest-la, reivindicando melhorias. No primeiro caso, torna-se novamente um involuntrio e tcito legitimador do estado de abandono do espao urbano. No segundo, deparar-se- com um sistema burocrtico pouco permevel queixa e com resultados incertos e demorados. Optar por esta alternativa, embora desafiadora, fundamental para garantir o nosso direito a uma cidade limpa e saudvel.

Vivo em Vila Nova de Cerveira – Minho e fiz parte do Limpar Portugal.
J antes tinha plena conscincia do problema mas a partir de ento passei a vivenciar essa experincia com mais importncia. Sempre pensei que quem colaborou nessa aco ficasse com a clarividncia necessria para no voltar a sujar a via pblica e as nossas florestas, mas tal no aconteceu 🙁
Passeio bastante a p com a minha cadelinha e vejo mais e mais lixo nos passeios e escondido no mato que se forma sada das portas e portes das casas 🙁
J falei com o Presidente da Junta e com a Cmara Municipal, mas muito pouco ou mesmo nada foi feito.
Triste viver entre pessoas que no respeitam a natureza e que pensam que o seu lixo no suja.