Opinião: Um Portugal dos Pequeninos
Um Presidente da República que escolhe tocar na ferida da descolonização com o mesmo descuido de quem tira inusitadamente uma batata frita do prato de uns turistas, das três duas: perdeu a noção do cargo institucional que desempenha; deixou de saber avaliar o país em que vive ou a vida política nacional é meramente anedótica.
Não existe qualquer problema em refletir sobre a história do nosso país. Não isenta de erros e reparos, com certeza. Mas já parecem um descuido juízos apriorísticos e revisionistas que nem as supostas vítimas reivindicavam. Tanto mais que existe uma extrema-direita populista e radical em crescendo que agradece este tipo de agenda política. De tal modo, que à negligência (para não dizer mais) do Presidente, responde com um esdrúxulo suposto processo de crime lesa-pátria. Sabendo à partida que não teria qualquer sucesso, mas o objetivo essencial era fazer ruído a um mês de eleições europeias, campo fértil para a demagogia em torno de nacionalismos.
O Presidente Marcelo deveria ter pensado nisso antes da conversa de soalheiro com os jornalistas-correspondentes em Portugal. Deixou, portanto, de ter noção do cargo que desempenha, abrindo feridas antigas no pior contexto possível, sobre um tema em que ninguém ansiava por nada… exceto, claro está, o Chega do Ventura para quem qualquer foguete é uma festa.
Eça de Queiroz já escrevia, em 1867, que “em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações”. Como se não bastasse, acrescentava que “a ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse”. Passado século e meio e observando a realidade do país existirão muitas diferenças?
Os próximos meses são de uma enorme importância para Portugal – que não deveria deitar fora tudo quanto conquistou na ultima década com enorme esforço de todos – pelo que um Presidente na plenitude das suas competências e qualidades se impõe. Terminar apenas com dignidade já seria “poucochinho”!..

Ora cá vamos nós, outra vez a gastar o nosso precioso tempo na recordatória da prevenção da culpa futura. Como gostamos todos destas recordatórias… O Eça certamente também as apreciaria…
Vai daí o PR é também um exímio psicoterapeuta. Os bons e competentes psicoterapeutas são exímios a abrir feridas profundas no momento adequado. Não será assim…?
Este comentário integra o opinativo do glossário do engolir. Outros há que integram o glossário do Spiritus Sancti…
“Veni, Sancte Spiritus,
et emitte caelitus
lucis tuae radium
Lava quod est sordidum,
riga quod est aridum,
sana quod est saucium. (…)”
Luz, muita luz sobre o PR, para que só emita palavras úteis, apropriadas, ainda que pouco sábias.