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Opinião: Pensamento crítico

06 de novembro de 2021 às 14 h16

Há um pensamento forjado por um conjunto de estruturas que me fazem imaginar uma cadeia de comando, um poder subtil, uma transversalidade de favores, uma teia de encaminhamentos e de empregabilidade. Existem estruturas internacionais que se acantonam assim, fazendo uma sequência de relações que se fecha sobre uma intrincada multiplicação de capital. O BNI Business Network International que surgiu em 1985 nos Estados Unidos pela mão de um fabuloso “networking”, Ivan Misner que já escreveu dezenas de livros promovendo a roda compressora e sufocante da sua engrenagem, é apenas um exemplo. A ideia é referenciar de uns para outros num conceito “givers gain” que potenciando a teia potencia o retorno em valor. Isto aparece porquê? A ideia de fazer negócio é o motor da sociedade humana, o tecido social em que estamos a construir a sociedade. Aumentar o desejo, potenciar a oferta, desequilibrar a necessidade, reduzir importância e ética a valor moeda. Construímos pessoas que querem. Querem tudo. Querem sempre mais. Assim, a sociedade do desejo ilimitado sofre, tem ansiedade, tem obesidade, tem excesso, tem coletores, colecionistas, pessoas que nunca estão bem com aquilo que possuem. Neste mercado que é construído por pensadores brilhantes, há uma produção de estímulo directo aos olhos e aos prazeres. Agora precisamos dar o que eles viram e desejam e querem. As empresas produzem, as televisões e as redes sociais estimulam, os bancos oferecem dívida, e cobram juros, as pessoas empenham-se e pagam. Adoecer um pouco também é negócio. A hipertensão tem tratamentos, a obesidade tem inúmeras terapêuticas, a diabetes é maravilhosa para a indústria farmacêutica. A diabetes e o alcoolismo atacam quase todos os órgãos e para todos há um “fármaco” que alivia e reduz e permite voltar ao desejo. Precisas dinheiro? Temos um banco. Falas no banco que precisas de férias? Temos uma agência. A cavalgada da oferta facilita a brutalidade da roda do desejo. O BNI tem recursos humanos, tem transportes, tem cabeleireiros, tem financiadores, tem tudo o que o sôfrego carece.
A Europa em que existimos é também uma rede de construção de necessidades, que ganham nome de exigência, que se associam a palavras como eficiente, protector do ambiente, intervenção no curso natural das coisas e da vida. Exemplo dos textos europeus e do seu palavreado é https://europa.eu/youth/sites/default/files/12_ideas_for_the_future_of_europe.pdf
E em Portugal, de 2019,vale a pena conhecer esta peça de retórica que justifica a destruição da EDP em inúmeras companhias que no final nos custam mais do que pagávamos quando era só uma: https://www.edp.com/sites/default/files/2020-04/EDP%20Sustainability%20Report%202019.pdf
Estamos impelidos por um discurso e umas evidências que redundam sempre em preços mais altos e em mais empresas que se associam em rede e empregam milhões de pessoas que os partidos de algum modo controlam quando são donos do poder. Reparem neste exemplo da EDP que hoje tem a rede na REN, o arranjo da rede em outsourcings, o cliente noutra estrutura, os negócios noutro grupo. No final era tudo para ser mais eficiente mas o cliente perdeu porque paga mais, o consumo é assustador e agora até a energia para os carros está mais cara que a gasolina.

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